História de um álbumFaixa 02
Duas sessões, quase nenhum ensaio e o disco de jazz mais vendido da história
Miles Davis chegou ao estúdio com alguns rascunhos e uma ideia sobre escalas. Os músicos nunca tinham visto aquele material.
- Artista
- Miles Davis
- Álbum
- Kind of Blue
- Ano
- 1959
- País
- EUA
- Gênero
- Jazz modal
- Tempo de leitura
- 2 min de leitura

Os músicos chegaram ao 30th Street Studio da Columbia, em Nova York, sem saber o que iam gravar. Davis queria assim. Para ele, a primeira vez que você toca uma coisa é a mais honesta.
01O contexto
No fim dos anos 50, o bebop tinha levado o jazz para andamentos cada vez mais rápidos e harmonias cada vez mais complicadas. Davis queria espaço. Em vez de correr pelos acordes, pediu que os músicos improvisassem sobre escalas, os modos, que podiam durar vários compassos.
O sexteto tinha John Coltrane e Cannonball Adderley nos saxofones, Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na bateria. Bill Evans, que tinha saído da banda pouco antes, voltou para as sessões. Em “Freddie Freeloader”, quem toca piano é Wynton Kelly.
02Como o disco foi gravado
O disco foi gravado em 2 de março e 22 de abril de 1959. Davis levou rascunhos curtos de escalas e melodias, não arranjos completos. Quase todas as faixas do disco final são o primeiro take completo.
O estúdio funcionava numa antiga igreja e tinha uma reverberação natural quente. Dá para ouvir isso no disco, no jeito como os sopros e os pratos ficam soando no ar.
Eu não escrevi a música de Kind of Blue; levei rascunhos do que cada um deveria tocar.
03A história curiosa
Por mais de 30 anos, o lado A de Kind of Blue tocou um pouco acelerado. Um dos gravadores da primeira sessão rodava mais devagar, então, na velocidade normal, a música saía mais aguda, mais ou menos um quarto de tom acima.
Quem tentava tocar junto com o disco percebia que o instrumento não batia. O problema só foi corrigido numa reedição no começo dos anos 90, e muita gente ouviu o disco na afinação certa pela primeira vez.
04O legado
Kind of Blue costuma ser apontado como o disco de jazz mais vendido de todos os tempos e tem vários discos de platina nos Estados Unidos. A influência dele chega ao rock, à música ambiente, às trilhas de cinema e ao hip-hop.
Fontes e referências
- 1.Kind of Blue: The Making of the Miles Davis Masterpiece (abre em uma nova aba). Ashley Kahn, Da Capo Press, 2000
- 2.Miles: The Autobiography (abre em uma nova aba). Miles Davis & Quincy Troupe, Simon & Schuster, 1989
- 3.Kind of Blue, 50th Anniversary Collector’s Edition notes (abre em uma nova aba). Columbia/Legacy, 2008
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