História de um álbumFaixa 05
Como o Daft Punk transformou lembranças de infância em Discovery
A ideia dos dois produtores franceses era fazer um disco com cara da música que eles ouviam quando eram crianças.
- Artista
- Daft Punk
- Álbum
- Discovery
- Ano
- 2001
- País
- França
- Gênero
- Eletrônica / House
- Tempo de leitura
- 3 min de leitura

Em 1997, todo mundo falava do Daft Punk na cena eletrônica francesa. Quatro anos depois, a dupla lançou um disco cheio de solos de guitarra, baladas com vocoder e cordas de discoteca. Justamente o tipo de som que boa parte dos fãs tinha passado o fim dos anos 90 chamando de brega.
01O contexto
Homework foi gravado num quarto, pensando na pista. É um disco distorcido, repetitivo e áspero de propósito. Com o sucesso, a dupla virou o nome mais conhecido do French Touch, a cena dos loops de disco filtrados.
No disco seguinte, eles resolveram olhar para trás. Nas entrevistas, falavam do que ouviam quando crianças, no fim dos anos 70 e começo dos 80, numa época em que ainda não sabiam que música “dava vergonha”. A ideia de Discovery era ouvir música como criança ouve: sem ironia.
02Como o disco foi gravado
A gravação levou anos e aconteceu no estúdio que Bangalter tinha em casa, em Paris, o Daft House. Sem pressa e longe de todo mundo, a dupla montava as faixas com pedaços de discos antigos, partes tocadas por eles mesmos e uma coleção de sintetizadores e efeitos antigos.
Eles misturaram de propósito o que era sample e o que era tocado. Tem trecho que parece tirado de um LP velho, mas foi gravado pela dupla e envelhecido depois. E tem sample de verdade, de discos obscuros de funk, disco e soft rock, picotados e remontados.
03A história curiosa
Discovery nunca foi pensado só como disco. Logo no começo, a dupla procurou o mangaká japonês Leiji Matsumoto, autor das óperas espaciais que eles viam na TV francesa quando crianças, para transformar o álbum num longa de animação.
O resultado foi Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, a história de uma banda alienígena sequestrada por um executivo da indústria musical. O filme quase não tem diálogo: o disco inteiro toca do início ao fim como trilha. Vários clipes do álbum são, na verdade, trechos do filme.
04Capa e visual
A capa trocou o logotipo de jaqueta de cetim de Homework por uma versão cromada e derretida do nome Daft Punk, meio emblema de heavy metal, meio adesivo de loja de brinquedo. A ideia era parecer caro e um pouco ridículo.
Foi também nessa época que a dupla assumiu de vez os personagens robôs. Os capacetes, criados com uma equipe de efeitos especiais, deixavam os dois aparecerem como personagens, e não como celebridades, e protegiam a vida pessoal deles.
05Detalhes escondidos
As primeiras cópias do CD vinham com um cartão do “Daft Club”, que liberava faixas exclusivas na internet. Isso anos antes de o streaming tornar esse tipo de coisa comum.
A voz de “One More Time” é do cantor americano de house Romanthony, cheia de Auto-Tune e vocoder. Muita gente achou que a voz robótica era só um truque. Foi um dos primeiros usos famosos do corretor de afinação como efeito criativo.
06O legado
Em 2001, as críticas foram mistas. Teve quem chamasse Discovery de brega e quem visse ali só uma novidade passageira. Dez anos depois, ele era um dos discos mais sampleados e citados da sua época, com influência clara no electropop e no EDM que vieram depois.
Kanye West construiu “Stronger” em cima de “Harder, Better, Faster, Stronger”.
Fontes e referências
- 1.Daft Punk’s Discovery: The Future Unfurled (abre em uma nova aba). Ben Cardew, Velocity Press, 2021
- 2.Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem (abre em uma nova aba). Toei Animation / Virgin, 2003
- 3.Discovery, original CD liner notes and Daft Club materials (abre em uma nova aba). Virgin Records, 2001
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